
Quando a frustração pode virar uma crise
Nem sempre uma crise acontece de forma repentina. Em algumas situações, principalmente quando a criança não consegue concluir uma tarefa ou quando o resultado não sai como ela esperava, é possível perceber sinais de que algo não está bem antes da crise acontecer.
Isso pode ocorrer durante atividades simples do dia a dia, como uma brincadeira, um desenho, um quebra-cabeça, um jogo ou até mesmo um recorte de papel.
No caso do meu filho, alguns comportamentos costumam aparecer antes da crise:
Ele interrompe a atividade que estava realizando.
Fica mais quieto e retraído.
Demonstra sinais de sofrimento emocional, como se estivesse lidando com uma dor interna que ainda não consegue explicar.
As mãos ficam frias.
O rosto pode ficar mais pálido inicialmente e, pouco depois, avermelhado.
Nem todas as crianças apresentarão os mesmos sinais, mas observar essas mudanças pode ajudar os pais a identificar quando a frustração está aumentando.
A importância de agir antes da crise
Quando percebemos esses sinais, uma mudança de foco pode fazer toda a diferença.
Em vez de insistir na tarefa que está gerando frustração, pode ser mais útil direcionar a atenção da criança para algo que ela goste ou domine melhor naquele momento.
Com meu filho, algumas estratégias costumam ajudar:
Oferecer um brinquedo que ele gosta muito.
Conversar sobre um assunto de interesse dele.
Fazer perguntas simples cujas respostas ele conhece.
Propor uma atividade diferente por alguns minutos.
Em algumas situações, pegá-lo no colo e criar um ambiente de segurança.
O objetivo não é ignorar a frustração, mas impedir que ela cresça a ponto de se transformar em uma crise mais intensa.
Nem sempre é fácil para os pais
Quem convive com uma criança autista sabe que identificar esses momentos nem sempre é simples. Muitas vezes os pais também ficam cansados, inseguros e sem saber exatamente o que fazer.
Mas aprender a reconhecer os sinais que antecedem uma crise pode fazer uma grande diferença. Com o tempo, cada família vai descobrindo quais estratégias funcionam melhor para seu filho.
Muitas crises não podem ser evitadas, mas algumas podem ser reduzidas ou até prevenidas quando conseguimos perceber os sinais de alerta e agir com acolhimento, paciência e compreensão.